domingo, 31 de agosto de 2008

A arte de ser ex




A arte de ser ex


É uma arte ser Ex. Normativamente, o verbo Ser não coexistiria com Ex-. Ser não pode ser Não Ser, ou seja, Ex, mas É. Chega! A complexidade da Língua Portuguesa é difícil.


Mas também não é nada fácil ser ex. Pior ainda ex do gênero feminino: ex-mulher, ex-namorada, ex-amada, ex-rolo, ex-caso...

Ex é sempre um problema. Ex-ruim é ruim. Mas ex-admirável, é uma tragédia.

Tantas atuais não confessam, mas adorariam que seus pares fossem viúvos?

Mas viúvos profissionais! Desses que enterram todas as ex. Porque viúvo na verdade não tem ex. A defunta não perde o cargo, será sempre “a esposa, a mulher, a companheira”, só que não está mais entre nós, logo... Melhor assim. Não há disputa e... “Deus a (de)tenha em bom lugar”.

Pois é, se você não partiu dessa para melhor e além de ex, se relaciona bem com o seu ex, saiba que já foi, automaticamente, inserida pela atual e sua trupe, na categoria “fantasma” ou a “falecida” (e pior, em vida!). Escolha sua escala espectral - de invisível e aceitável, como o Gasparzinho; a Poltergeist, aterrador, que fantasmagoria todas as óperas.

Agora, se você é ex, se dá bem com o seu ex, ele não esconde o quanto você é gente boa, inteligente, interessante, todos dizem “vocês ainda vão reatar” e, você é, desgraçadamente, bonita – Cuidado! Sua vida corre real perigo.

Ah! Aprenda a interpretar aquele sorriso lindo e as palavras gentis que a atual lhe remete – que, na frente dele, então, são angelicais. Todos são como filmes dublados, têm uma legenda bem diferente do que dizem, nem queira saber.
Aliás, essa é uma das atitudes inteligentes de ex: Melhor não querer saber.

Ex não se aprofunda, paira.

Ninguém tenciona ser ex mas, se por acaso essa situação se apresentar em sua vida, combine com seu ex algumas sábias regras para aplicar aos junto aos novos convivas:

- A competência profissional da ex, deve ser a própria nulidade;

- Comida de ex não pode ser melhor que a da bola da vez, nem a escolha dos restaurantes, dos vinhos, dos queijos!...

- Os lugares que já foi com a ex só agora têm cor. No passado, esse cartão postal que é a Lagoa, era um passeio tão desagradável que a imagem que você guardara era de uma poça! Tipo: “Querida, aqui não era um brejo?”

- Sexo de ex então... “Sexo, cama? Quê isso, amorzinho? Nós vivíamos como irmãos...” . Péssima, mas com jeitinho cola. O amor é cego, surdo, mudo, burro, sem tato...

Amnésia! Minha amiga, meu amigo, amnésia.
Lembre-se (e diga sempre), que a paixão atual foi tão avassaladora, que sua vida começou no dia que encontrou, quem atualmente lhe aquece as costelas (e, volta-e-meia, os miolos!).

A sensual voz da ex, a piada hilária do ex, o riso gostoso da ex, como ele ficava lindo de terno, o ritual mágico de hidratar a pele da ex, os perfumes que eram feromônio puro, o salto alto com meias dela, aquela pipoca doce de madrugada que só ele fazia, os atrasos que tanto irritavam, os resultados que tanto valiam a espera...

Pára! Melhor não recordar!

Corre o risco de seu olhar cintilar, soltar um suspiro imenso, um sorriso comprometedor despontar nos seus lábios e tudo isso, totalmente, fora de hora.
Atente que, lembrar de ex será fora de hora, sempre!

Por fim, aprendi com um ex, e a atual que não me leia, que:

Com os atuais amores, melhor não comentar os anteriores”.



Soraya Vieira

Minha primeira crônica publicada.

Local - Orkultural.

A ORKULTURAL, FOI INDICADA PELO PORTAL DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, COMO UMA DAS OITO MELHORES COMUNIDADES DO ORKUT, NA CATEGORIA CULTURA E CONTEÚDO DIDÁTICO.
http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/colunistas/cherrmann/chindex.htm


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